As cartas de ação: ler e depois fazer
Ela lê « salta três vezes », e salta: a leitura torna-se visivelmente útil.
As cartas de ação: ler e depois fazer é uma atividade Montessori para uma criança de 6-8 anos. Domínio: Linguagem. Duração: 15-20 min.
O que a atividade desenvolve
Compreender o que se lê, e não só decifrar, verificando pela ação.
O material
- Dez cartas com uma instrução curta cada: « abre a porta », « salta três vezes »
- Uma caixa para as cartas
- Um espaço livre para se mexer
Como fazer, passo a passo
- Tirem uma carta à sorte, leia-a para si, e execute a ação sem dizer uma palavra.
- Pouse a carta virada para cima e deixe-a ler o que acabou de fazer.
- Deixe-a tirar uma carta à sorte e agir.
- Não comente: a ação mostra por si só se ela compreendeu.
- Arrumem as cartas na caixa no fim.
O papel do adulto
Este jogo mede a compreensão, não a velocidade de leitura. Se ela fizer outra coisa diferente do que está escrito, não diga nada: releiam a carta juntos, baixinho, e deixe-a corrigir-se sozinha.
Segurança
Escreva apenas instruções seguras: nada de trepar, correr na escada, ou sair sozinha. Verifique o espaço antes de começar, sobretudo para as cartas que fazem saltar ou rodar.
Só os pais podem julgar o que convém à criança. Estas atividades têm um fim educativo e lúdico: não substituem uma opinião médica nem o acompanhamento de um profissional da primeira infância.
Para adaptar a atividade
- Mais fácil: instruções de três palavras.
- Mais difícil: duas ações na mesma instrução, a fazer pela ordem certa.
- Para continuar: ela escreve três cartas para os pais, e são eles que executam.
A seguir
Outras atividades para uma criança de 6-8 anos.
Seguir uma receita ilustrada
Uma receita afixada, passos numerados, e um bolo que ela fez mesmo sozinha.
Coser um botão
Uma agulha, quatro buracos, e um remendo que vai durar anos.
Preparar as coisas para o dia seguinte
Cinco minutos à noite que evitam vinte minutos de gritos de manhã.
Fazer a cama
A primeira coisa conseguida do dia, e é dela.
Mudar uma planta de vaso
Uma planta apertada, um vaso maior, e raízes que finalmente se veem.
Dobrar um avião de papel
Seis dobras precisas, e o controlo do erro chega sozinho: voa ou faz picada.
Recortar seguindo uma curva
A linha reta já está dominada, a curva exige rodar o papel, não a tesoura.
Enfiar uma agulha
Uma linha, um buraco de agulha, e o silêncio total que acompanha os gestos verdadeiramente difíceis.
O saco dos sólidos geométricos
Só a mão tem de reconhecer o cubo, o cone e a esfera, sem a ajuda dos olhos.
Ordenar os sons do mais grave ao mais agudo
Cinco copos, cinco níveis de água, e uma escala que se arruma pelo ouvido.
A caixa das palavras-objetos
Uma etiqueta, um objeto: ler serve finalmente para fazer algo concreto.
O nome e o artigo
Um triângulo grande e preto para o nome, um azul e pequeno para o artigo: a gramática manipula-se.
O verbo em ação
O verbo é a única palavra que se pode fazer: é assim que se reconhece.
Escrever um modo de utilização
Ela explica por escrito uma coisa que sabe fazer, e alguém tem de conseguir segui-la.
Etiquetar os objetos da casa
A casa torna-se um livro de imagens em tamanho real, escrito pela mão dela.
O banco: unidades, dezenas, centenas
Dez massas fazem um saquinho, dez saquinhos fazem uma caixa: o sistema decimal cabe nas mãos.
Multiplicar com feijões
Quatro filas de três: a multiplicação torna-se um retângulo que se pode ver.
Partilhar em partes iguais
Doze bolachas, quatro pratos, e uma justiça que se verifica a olho.
As frações do bolo
Um bolo redondo cortado ao meio, depois em quatro: a metade deixa de ser uma palavra e passa a ser uma parte.
Medir a casa com a fita métrica
Estimar primeiro, medir depois, e descobrir por quanto se enganou.
A lojinha com moedas a sério
Moedas a sério, preços a sério, e o troco a dar: a soma torna-se útil.
Ler as horas num relógio de cartão
Um relógio que ela própria fabrica, com ponteiros que roda com a mão.
A fita do ano
Doze meses esticados em três metros de fita, e o lugar dela algures nela.
Desenhar a planta do quarto
Ver o quarto de cima, como um pássaro, e fazê-lo caber numa folha.