Enfiar uma agulha
Uma linha, um buraco de agulha, e o silêncio total que acompanha os gestos verdadeiramente difíceis.
Enfiar uma agulha é uma atividade Montessori para uma criança de 6-8 anos. Domínio: Motricidade fina. Duração: 15 min.
O que a atividade desenvolve
Coordenar o olho e dois dedos num alvo minúsculo, e desenvolver a perseverança.
O material
- Agulhas de buraco largo, pouco pontiagudas
- Linha grossa cortada em pedaços de trinta centímetros
- Uma tesoura pequena e um alfineteiro
- Um fundo de cor lisa, que faça ressaltar o buraco da agulha
Como fazer, passo a passo
- Mostre como cortar a linha em bicel e humedecê-la ligeiramente entre dois dedos.
- Segure a agulha contra o fundo liso e enfie, devagar, uma vez.
- Tire a linha e passe-lhe o material.
- Não diga nada enquanto ela tenta, mesmo que tente vinte vezes.
- Contem as agulhas com ela e arrumem-nas no alfineteiro.
O papel do adulto
É a atividade da paciência: não enfie por ela ao fim de três tentativas. O fundo liso é a única ajuda que deve dar, torna o buraco visível e basta para tornar a tarefa possível.
Segurança
As agulhas contam-se antes e depois, e arrumam-se imediatamente no alfineteiro. Uma agulha caída tem de ser encontrada antes do fim da sessão. Atividade sempre vigiada, nunca deixada em acesso livre.
Só os pais podem julgar o que convém à criança. Estas atividades têm um fim educativo e lúdico: não substituem uma opinião médica nem o acompanhamento de um profissional da primeira infância.
Para adaptar a atividade
- Mais fácil: uma agulha de lã de buraco muito grande e lã grossa.
- Mais difícil: uma agulha mais fina e linha comum.
- Para continuar: enfiar e depois dar um nó na ponta, sozinha.
A seguir
Outras atividades para uma criança de 6-8 anos.
Seguir uma receita ilustrada
Uma receita afixada, passos numerados, e um bolo que ela fez mesmo sozinha.
Coser um botão
Uma agulha, quatro buracos, e um remendo que vai durar anos.
Preparar as coisas para o dia seguinte
Cinco minutos à noite que evitam vinte minutos de gritos de manhã.
Fazer a cama
A primeira coisa conseguida do dia, e é dela.
Mudar uma planta de vaso
Uma planta apertada, um vaso maior, e raízes que finalmente se veem.
Dobrar um avião de papel
Seis dobras precisas, e o controlo do erro chega sozinho: voa ou faz picada.
Recortar seguindo uma curva
A linha reta já está dominada, a curva exige rodar o papel, não a tesoura.
O saco dos sólidos geométricos
Só a mão tem de reconhecer o cubo, o cone e a esfera, sem a ajuda dos olhos.
Ordenar os sons do mais grave ao mais agudo
Cinco copos, cinco níveis de água, e uma escala que se arruma pelo ouvido.
A caixa das palavras-objetos
Uma etiqueta, um objeto: ler serve finalmente para fazer algo concreto.
As cartas de ação: ler e depois fazer
Ela lê « salta três vezes », e salta: a leitura torna-se visivelmente útil.
O nome e o artigo
Um triângulo grande e preto para o nome, um azul e pequeno para o artigo: a gramática manipula-se.
O verbo em ação
O verbo é a única palavra que se pode fazer: é assim que se reconhece.
Escrever um modo de utilização
Ela explica por escrito uma coisa que sabe fazer, e alguém tem de conseguir segui-la.
Etiquetar os objetos da casa
A casa torna-se um livro de imagens em tamanho real, escrito pela mão dela.
O banco: unidades, dezenas, centenas
Dez massas fazem um saquinho, dez saquinhos fazem uma caixa: o sistema decimal cabe nas mãos.
Multiplicar com feijões
Quatro filas de três: a multiplicação torna-se um retângulo que se pode ver.
Partilhar em partes iguais
Doze bolachas, quatro pratos, e uma justiça que se verifica a olho.
As frações do bolo
Um bolo redondo cortado ao meio, depois em quatro: a metade deixa de ser uma palavra e passa a ser uma parte.
Medir a casa com a fita métrica
Estimar primeiro, medir depois, e descobrir por quanto se enganou.
A lojinha com moedas a sério
Moedas a sério, preços a sério, e o troco a dar: a soma torna-se útil.
Ler as horas num relógio de cartão
Um relógio que ela própria fabrica, com ponteiros que roda com a mão.
A fita do ano
Doze meses esticados em três metros de fita, e o lugar dela algures nela.
Desenhar a planta do quarto
Ver o quarto de cima, como um pássaro, e fazê-lo caber numa folha.